I. DESCRIÇÃO
Descrição

O turismo é uma indústria de mão-de-obra intensiva, que contribui para a criação de milhões de empregos por todo o mundo. Este é um setor particularmente importante para as mulheres, sendo a sua participação neste setor mais elevada que nas outras atividades económicas em geral (Hemmati, 2000; NDP Gender Equality Unit, 2001). Mas apesar de o setor do turismo ser predominantemente feminino, o tipo e as condições do emprego que é gerado acabam por reforçar as desigualdades de género (de Kadt, 1979; Jordan, 1997). Note-se que este é um setor fortemente segregado verticalmente: as mulheres ocupam posições hierarquicamente inferiores, estando os homens mais representados em cargos de chefia e gestão (Costa et al., 2011a). As oportunidades de progressão na carreira são muito limitadas ou mesmo inexistentes (Hemmati, 2000). Em turismo, o emprego que é proporcionado às mulheres está frequentemente relacionado com domínios subvalorizados e tipicamente femininos, como tomar conta de outras pessoas e preparar refeições (Purcell, 1997).

Em Portugal, o estudo desenvolvido no âmbito do projeto Gentour I veio, precisamente, mostrar que embora as mulheres sejam mais qualificadas, uma vez que constituem a maioria dos diplomados ao nível do ensino superior em Turismo, muito poucas são aquelas que alcançam posições de chefia e liderança de topo (Costa et al., 2011a e 2011b). De facto, alguns estudos comprovam que as empresas que têm mais mulheres em posições de topo têm melhor desempenho do que as empresas estritamente dominadas por homens (Desvaux et et al., 2007). O setor do turismo é também um dos setores nos quais o fosso salarial entre homens e mulheres é maior – as mulheres auferem, em média, menos 26,3% do que os homens –, com tendência para aumentar, e particularmente visível entre trabalhadores com formação académica superior (Costa et al., 2011a).

Esta situação levanta questões de natureza ética, mas também de natureza económica, já que estes recursos humanos, fundamentais para a renovação da economia, estão subaproveitados. Mas estarão as empresas mais competitivas empenhadas em promover a igualdade de oportunidades? Será que o crescimento económico e a igualdade de género se reforçam ou se excluem mutuamente? Como é que o potencial do capital humano e o potencial do próprio setor do turismo podem impulsionar novas formas de crescimento económico?

O projeto Gentour II veio dar continuidade a este estudo anterior, realizado pela mesma equipa de investigação e que incidia sobre esta mesma área temática. O primeiro projeto versou sobre a situação do potencial das mulheres no setor do turismo à luz do seu quadro de formação e sobre os fatores que impedem a sua mobilidade vertical por razões de natureza ética e económica. Deste estudo resultaram importantes contributos para a análise da persistência de tendências que inibem a ascensão das mulheres a funções de liderança, fornecendo pistas e soluções para este problema.

Tendo por base os resultados do projeto Gentour I, o projeto Gentour II centra-se, por sua vez, e de forma geral, no diagnóstico da igualdade de género nas empresas e organizações do setor do turismo, analisando a interação entre o género do gestor/administrador e as estratégias de crescimento económico adotadas, nomeadamente ao nível do empreendedorismo, inovação, redes e internacionalização.


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