V. PRINCIPAIS RESULTADOS
Resultados

Relativamente ao perfil e formação dos diplomados e estudantes de Turismo em Portugal, verificou-se que há um maior número de mulheres com formação superior na área do turismo ou a frequentar cursos superiores nesta área, sendo que apesar de os homens prevalecerem, em termos relativos, nos níveis académicos mais elevados, em termos absolutos, a mão de obra mais especializada (mestrado e doutoramento) é maioritariamente feminina. Constatou-se, também, que as mulheres têm resultados académicos mais satisfatórios do que os homens, em cada um dos níveis académicos considerados no estudo. Sendo a oferta de ensino superior na área do Turismo em Portugal maioritariamente proporcionada por Institutos Politécnicos, observou-se, ainda, que são os indivíduos com formação superior realizada em instituições de ensino universitário que revelam maior capacidade empreendedora comparativamente aos que realizam os seus estudos em instituições de ensino politécnico.

No que concerne à situação profissional dos diplomados em Turismo em Portugal verificou-se que são as mulheres que revelam maiores dificuldades de inserção no mercado laboral: há mais mulheres que se encontram desempregadas porque não conseguem arranjar emprego, que revelam situações contratuais mais instáveis, que estão sem emprego há mais tempo e que têm em média menos empregos. As mulheres trabalham mais em regime de tempo parcial e, consequentemente, trabalham menos horas comparativamente aos seus pares. Apesar disso, constatou-se que os padrões de adoção de determinados horários de trabalho não são determinados pelo sexo dos inquiridos. Em relação ao salário mensal líquido, verificou-se que, em média, as mulheres ganham menos 16,8% do que os homens e que, independentemente do ramo de atividade onde estejam empregadas ou independentemente da região de naturalidade, de estudo ou de residência, auferem salários mensais médios mais baixos do que os seus pares; foram, ainda, identificadas similaridades regionais, com recurso a técnicas exploratórias de tratamento estatístico de dados, que revelam a existência de padrões territoriais relativamente ao salário médio mensal auferido pelos diplomados da área do turismo. Apesar de a manifestação da vontade de exercer cargos de maior responsabilidade ou de ocupar posições de gestão ser similar entre homens e mulheres, constata-se que os homens inquiridos prevalecem nas posições hierárquicas mais elevadas, nos cargos de chefia e nas funções de supervisão ou coordenação, sendo a disparidade de género na ocupação de cargos de chefia menor entre os inquiridos que exercem atividade em organizações com planos, código deontológico ou manual de boas práticas para a igualdade de género. Verificou-se, também, que a maternidade influencia negativamente a vontade das mulheres de exercerem cargos profissionais de maior exigência e responsabilidade.

Como fatores atenuantes das desigualdades e com influência positiva na carreira profissional dos diplomados da área do Turismo, destacam-se a especialização académica associada à diminuição da taxa de desemprego entre os diplomados da área do Turismo, verificando-se que nenhum doutorado inquirido se encontrava desempregado. A especialização académica está ainda associada à diminuição do grau de disparidade salarial entre mulheres e homens. A maior mobilidade no início da carreira, revela ter um impacte positivo, quer ao nível da progressão profissional, quer ao nível da evolução salarial. Constatou-se ainda que a disparidade salarial entre homens e mulheres é atenuada com o exercício de funções de maior responsabilidade e exigência, tais como funções de supervisão/coordenação ou cargos de chefia.

Em relação às práticas empresariais/organizacionais para a conciliação entre a vida profissional e a vida familiar, observou-se que ainda há um número significativo de empresas que não têm medidas de promoção da igualdade de oportunidades ou medidas para a conciliação entre a vida profissional e a vida familiar implementadas; verificou-se também que o número médio de medidas de igualdade de oportunidades implementadas nas organizações aumenta com o aumento da dimensão da empresa e é maior que o número médio de medidas de conciliação profissão-família implementadas nas organizações onde os diplomados inquiridos estão empregados. Por outro lado, os diplomados empregados em organizações com mais medidas implementadas, quer sejam medidas para a igualdade de oportunidades quer sejam medidas de conciliação profissão-família, revelam maiores níveis de satisfação com o emprego. Entre géneros, verificou-se que os homens demonstram maior indiferença ou desinteresse perante a temática da igualdade de oportunidade nas organizações, que poderá ser vista por estes como uma questão de interesse exclusivo das mulheres, tal como a tendência masculina para priorizar medidas relacionadas com a flexibilidade de horário ou do local de trabalho, enquanto a preferência feminina recai sobre as medidas de apoio à família. Constatou-se, ainda, que as medidas que os diplomados identificam como sendo as menos frequentes no meio empresarial são aquelas a que os estudantes atribuem maior importância.

A análise das visões sobre a progressão profissional dos diplomados inquiridos, através da sua perceção sobre a influência de fatores discriminatórios na progressão profissional, revela que o estado civil e o género são fatores geradores de maior discriminação aos olhos das mulheres, sendo a etnia e a nacionalidade mais relevantes para os homens. De facto, verificou-se que os indivíduos pertencentes a grupos tendencialmente mais discriminados na população expressam níveis de discriminação mais elevados relativamente a essa característica. Constatou-se também, de uma forma geral, que as mulheres se sentem mais desfavorecidas do que os homens em relação a todos os fatores analisados, como a remuneração e a mobilidade vertical, exceto no número de horas de trabalho e na flexibilidade de horário.

De acordo com os resultados referentes às dinâmicas e conflitos entre a vida profissional e a vida familiar, verificou-se que as mulheres com filhos trabalham menos horas por semana do que as mulheres sem filhos, observando-se a tendência inversa entre os homens, que tendem a trabalhar mais horas por semana quando já têm responsabilidades familiares acrescidas. Verificou-se também que a maioria dos homens que ocupam cargos de gestão tem filhos, enquanto entre as mulheres que exercem estes cargos, a maioria não tem filhos. De facto, é observável que ter filhos tem consequências diferentes em termos profissionais para homens e mulheres, sendo que os dados sugerem que o fator filhos aumenta a disparidade entre as mulheres e os homens no que concerne às taxas de emprego, à mobilidade vertical, à vontade de empreender e de exercer cargos de chefia, ao regime de trabalho e à remuneração auferida, provocando um efeito restritivo entre as diplomadas e catalisador entre os diplomados do género masculino. Relativamente às responsabilidades familiares e ao trabalho doméstico, os dados claramente mostram uma repartição não equitativa das tarefas, constatando-se que a maior parte destas é delegada às mulheres.


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